Manolos Funk e outros independentes!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A "cadeira de prata" quebrou..

Pô! Que notícia triste! O Silverchair, banda australiana dos anos 90, oficializou "férias por tempo indeterminado". Ok. Sem eufemismos! Silverchair "es muerto", "acabou", "finalitê", The End. Uma pena mesmo! Acompanhei e curti a maioria das fases da banda. Desde o grunge juvenil do Frogstomp até o "ópera pop", Diorama, este que considero um dos melhores discos dos anos 2000. Aliás, o Silverchair teve uma evolução impressionante. Souberam se reinventar e continuaram sendo muito populares.

Lembro do show do Silverchair em Belo Horizonte na merda do Mineirinho (Sinônimo de merda = mineirinho.) Na época, eu ainda cantava no Kinkadua e fazíamos alguns covers dos australianos. "Freak" e "Pure Massacre" eram as músicas tocadas. Meu amigo Thiago era um dos mais ansiosos para show. Na boa! Como ele era fanático! Foi um dos primeiros da fila de entrada e ficou agarrado na grade em estado de torpor até o fim do show. Lembro de encontrá-lo ainda segurando a grade depois que todo mundo havia ido embora. Estava em estado de nirvana. Acreditem este não é um trocadilho infame.

Tinha uma banda de Bh que fazia um som muito parecido com o Silverchair. Se chamava Prime, não sei se alguém se lembra. Se o Silverchair era a cópia do Nirvana, o Prime era a cópia do Silverchair. Recordo de ir em vários shows no Matriz desta galera. Aposto que o Diesel, Enne e Prime fizeram muitos shows juntos na época! Eram as referências. No meio de show encontrei a galera do Prime e ficamos ali curtindo as músicas no meio da loucura. O mais bacana é que o Silverchair tocou muito lado B. Curto demais quando uma banda toca o que tá afim sem pressão de público e nada.

Vou postar a música que mais gosto. Torço para a volta dos caras! Mas que voltem a ser os "rebeldes" e "depressivos" porque a onda alegre do último cd tá por fora!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Paradoxos contemporâneos: Forró de Plástico ou Tradição?



Texto: Tchululu
Fotos: Site Coletivo Pegada, radar sertanejo, downmusicas e iparaiba

Participei nos dias, 29 e 30 de abril, do Seminário "Comunicação e Cultura" promovido pela Aff! e Observatório da Diversidade Cultural. Particulamente, gostei demais do primeiro dia pela proposta reflexiva trazidas pelos palestrantes José Márcio, Mestre em Antropologia Social pela UNICAMP e doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e Vera França, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Réné Descartes – Paris V e professora do Mestrado em Comunicação Social da UFMG.

Acho que acertaram em cheio ao problematizar a relação entre a comunicação e cultura sem tomar partido das questões, até mesmo porque ainda não temos uma resposta clara sobre determinados pontos. No começo, Vera França abordou sobre o tema
cultura e as modificações do conceito durante os séculos e depois José Márcio foi muito feliz ao relacionar os dois temas juntos.

No caso, gostei demais quando o palestrante afirmou que a comunicação e cultura não devem ser encarados como uma relação de força entre um lado "forte" dando suporte ao lado "fraco". Ou seja, a comunicação não deve servir de suporte para a cultura e vice-versa. Eles devem ser entendidos como processos convergentes, uma construção mútua. Além disso, a conversa tem que sair do âmbito dos meios de comunicação para uma mediação das relações que estão no espaço real, através dos seus símbolos, no espaço cibernético através das rede sociais e outros dispositivos.

Diante deste contexto, José Márcio, contextualizou a cultura e comunicação no espaço contemporâneo. Para isso, usou diversos autores. Vou me ater ao filósofo francês,Edgar Morin, sobre a questão dos "paradoxos" pois achei o mais interessante.

No caso, Morin afirma que vivemos em um mundo que realidades distintas se chocam . Por exemplo, como é que neste mundo de tecnologias e democratização cada vez mais as pessoas se tornam menos reflexivas diantes dos processos? Ao usar Morin, José Márcio afirma que nunca foi tão fácil ter acesso ao conhecimento e o que ele percebe é uma sociedade extremamente voltada a técnica e não ao diálogo e construção do saber. É o grande paradoxo.

Vera França se mostrou preocupada pelo fato das pessoas escutarem cada vez menos, principalmente no mundo virtual. Para ela, neste momento, as pessoas tendem a exposição de pensamentos, informações e até autoafirmação mas não buscam refletir sobre as questões. É como se as pessoas estivessem em uma sala e todos estivessem falando ao mesmo tempo. Ou seja, muita informação e pouco conhecimento pela poluição do processo.

José Márcio também apresentou algumas problematizações da relação entre cultura e comunicação que precisam ser bastante discutidas.
Uma delas foi: O que nos queremos ser como cidadãos? Um país onde a diversidade cultural perpetua através da sua dinâmica natural ou precisamos de um resgate histórico para reafirmar uma identidade no intuito de sermos espelhos de nós mesmos? Diante deste fato, deparei com uma notícia interessante para fazermos uma paralelo diante destes paradoxos contemporâneos.

No dia 18 de abril, li uma reportagem intitulada, "Chico César contra o forró de plástico". Para quem não sabe, Chico César, músico e secretário da cultura da Paraíba, afirmou que o estado não dará apoio ao forró de "plástico" nas festas juninas no intuito valorizar o forró tradicional como patrimônio regional. E aí, entra a questão. Seria uma "ditadura cultural" implantada pelo secretário ou realmente é necessário resgatar músicos como Benedito do Rojão, Geraldo da Rabeca, João Gonçalves, emboladores, e repentistas que hoje vivem como memória empueirada diante do mercado business do forró de "plástico"?


Em contrapartida, não seria uma intolerância ao novo forró, principalmente, aos artistas responsáveis por gerar milhões de renda ao estado pela movimentação turística promovida e pelos grandes shows realizados que trazem crescimento local? É a pura marca dos paradoxos de Morin.


Eu tenho uma opinião sobre esta questão e ela passa pela questão da educação. As pessoas hoje em dia tem muito pouco conhecimento sobre história. Cada vez mais técnicas elas não estão acostumadas a pensar na construção dos processos ou conhecer a dinâmica dos movimentos culturais para realizar escolhas. Acredito que é uma intolerância por parte do Chico César, mas entendo os motivos que o fez tomar este tipo de atitude. Me incomoda também a falta de conhecimento sobre a própria cultura regional tão importante para entender a identidade.

O problema é que não se pode impor reflexão para quem não está preparado para receber. Se não o tiro sai pela culatra mesmo. Por isso, acredito no processo educacional. Parece chover no molhado, mas as pessoas precisam ter educação de qualidade para escolher o que quiserem de maneira mais justa. Se por um lado é uma atitude ditatorial do secretário é também uma maneira de chamar atenção para o resgate de uma história que não pode ser esquecida. Até mesmo para a opção da diversidade cultural temos que criar pessoas críticas dentro deste contexto para que elas saibam das consequências das escolhas. Tipo de conhecimento que hoje ainda está muito distante de acontecer.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Jon Bonjoveísmo" e a convivência entre os músicos!



Texto: Tchululu
Foto: Revista Rolling Stones
Obs: Fiz questão de colocar a foto mais poser possível

Ontem estava vendo um especial da banda Bon Jovi na televisão e eles falavam sobre a convivência entre eles nestes 20 poucos anos de carreira. É muito bacana como as relações humanas em grupos são iguais independente do status atingido. Em bandas isso interfere ainda mais porque ,na maioria das vezes, a relação profissional está praticamente ligada as relações pessoais. As dificuldades aumentam porque é difícil tirar "férias" dos outros quando os músicos convivem o tempo inteiro em turnês gigantescas, possuem compromissos intermináveis e muitas vezes aproveitam o "tempo livre" estando juntos. Como o próprio Rick Sambora, guitarrista do Bon Jovi, afirma: "É como se fosse um casamento, mas sem sexo. Não é exatamente uma família. É uma relação diferente"

Sobre o Bon Jovi achei intrigante uma coisa. Lá nada funciona da maneira democrática. É um "Jon Bon joveismo" escancarado mas que hoje todos conseguem conviver com isso. O vocalista determina tudo e precisa dos músicos para conduzir os pensamentos. David Bryan, tecladista, disse que no começo eles compraram a ideia de ter uma banda nos moldes do Jon Bon jovi. Como foi uma fórmula certeira eles acreditam que é assim de tem de ser. É engraçado como eles creditam o sucesso da carreira ao vocalista mesmo. Richie Sambora até afirma que uma das funções era deixar o Jon Bon Jovi "feliz". Era uma maneira de deixar o ambiente sempre em paz e harmonioso. Estas atitudes, claro, acabaram sufocando todo mundo e eles chegaram a ter psicólogo. Durante este percusso, problemas com bebidas e crises familiares associadas ao stress diário e de um "absolutista", quase acabaram com a banda.

O bacana que hoje os caras conseguem ver este processo de maneira mais clara. Todos possuem seus projetos paralelos e são incentivados a isso. É uma maneira de manter a saúde mental de todos. Acredito também que o projeto musical tornou a "galinha dos ovos de ouro" para todo mundo. O Chefe ganha muito bem e os empregados ganham o suficiente para estarem muito bem também. kkkkkkkkkk


Nos Manolos Funk, as proporções são menores, óbvio, mas também temos nossos desafios de convivência e por mais que todo mundo ache nem sempre é fácil. Todos nós conhecemos as qualidades e defeitos dos outros e muitas vezes nos tornamos até intolerantes. Além disso, existem as diferenças pessoais. Cada um possuiu uma criação diferente e vêem de histórias distintas. Isso interfere até mesmo na maneira como você enxerga a criação musical. Eu particulamente, estudei durante 17 anos em um colégio Católico e venho de uma juventude muito mais polida que os meninos. Sempre cresci com a imagem de "bom menino" mesmo. Quem me conhece sabe. Mas isso de longe me torna uma pessoa fácil. Sou bem rabujento, sistemático, preguiçoso e quando discordo é uma dificuldade gigante para ser tolerante. Mas faço isso sem muito barulho. É minha maneira de ser.


Seguindo o divã: Musicalmente sou do pós grunge, não tenho um lado rebelde exarcebado como meus colegas de 30 e poucos! kkkk Enquanto os meninos viviam o grunge eu ainda era da fase Legião urbana e outras bandas existencialistas. Fui também um típico garoto do "Top 10" da MTV. Escutava de Silverchair até Michael Jackson. Ultra farofa.

Mas enfim, o interessante deste papo todo é mostrar que toda relação de grupo para funcionar precisa de um objetivo definido. Neste meio tempo, você tem de aprender a se impor para não se sentir sufocado, mas tem de ceder também. O tempo mostra que você erra e acerta inúmeras vezes e isso não te faz maior ou menor dentro do processo. Ser transparente é importante demais para o crescimento das coisas. É melhor que uma discussão aconteça e seja resolvida ali mesmo do que guarda-la pra te corroer. No Manolos Funk a gente segue aprendendo a fazer isso diariamente, mas tudo isso tem o objetivo de fazer a banda chegar onde a gente acredita. Somos filhotes ainda. Esta história é a de hoje. Veremos daqui há 20 anos! Nesta vida é tudo dinâmico e temos de ter consciência disso. Mas por projeção vejo um futuro bacana.

Ou seja, acho que não nos mataremos! kaakkakak

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ella é demais!



Texto: Tchululu
Foto: Site tyrolis.com

Dia 25 de Abril, pós páscoa, é aniversário da americana "Lady Ella", uma das maiores cantoras de Jazz de todos os tempos. Ella Fitzgerald (1917- 1996) era uma cantora a cima da média principalmente por ter uma extensão vocal de 3 oitavas. Ou seja, ela flutuava facilmente entre graves e agudos. Além disso, tinha uma dicção impecável além de improvisar com uma técnica impressionante de swing e scat.

Lady Fitzgerald na verdade queria ser dançarina. Mal sabia das suas qualidade vocais diferenciadas. Tanto é que sua primeira apresentação foi totalmente por acaso. Em 1934, em um show de calouro, "Amateur Night Show", ela entrou no palco para realizar uma perfomance mas de tanta vergonha preferiu cantar. A decisão foi providencial. Em pouco tempo a menina pobre, filha de lavadeira, se tornaria a "rainha do Jazz", uma das maiores cantoras de todos os tempos.

Depois do concurso ela sofreu preconceito por acharem ela feia para merecer destaque em grupos vocais. Foi contratada, depois de muita pressão, pelo baterista Chick Webb como cantora titular de sua orquestra e o sucesso veio a galope.

Em 1940, gravou com grupos vocais importantes, além de nomes como Louis Jordan e Dizzy Gillespie, ícone do Beepob. Mas foi a parceria com Louis Armstrong que elevou seu nome a rainha do Jazz. Os 3 discos resultados da parceria são considerados, até hoje, como grandes clássicos do jazz.

Em 1950, começou a cantar baladas escritas por George Gershwin, Cole Porter e Irvin Berlin. Até as músicas de Tom Jobim também entraram no "pacote". Ella também continuou participando de duetos com grandes nomes do Jazz como Duke Elligton e Oscar Peterson.

O final de década de 1950 e a década 1960 foi marcada por alguns problemas de saúde e crises nervosas devido ao ritmo alucinado de apresentações. Já em 1975, o diabetes obrigou a cantora a ter uma vida mais pacata o que fez reduzir vertiginosamente o número de shows. Em 1993, a cantora teve de amputar as pernas devido a complicações causadas pela doença.

A cantora manteve o nível de sua popularidade sempre em alta até falecer com 78 anos em 1996. Fica aí o registro deste vozeirão de "menina" sensacional. Quem não conhece vale a pena.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O rock é cultura brasileira?



texto: Tchululu
Foto: site "história do mundo"

Existe uma grande efervescência de bandas que compõem o rock brasileiro contemporâneo. Muitos acreditam que o estilo está em baixa no Brasil devido a "fenômenos" como "Restart", "Cine", dentre outros, mas com o surgimento da Internet é possível conhecer bandas beeeeeem mais interessantes do que estas. Quem fica nesta de saudosismo com a música tem preguiça de pesquisar ou está muito fora do processo. Existe bandas de rock com letras boas, timbres diferentes e estéticas diversas. É inegável que o rock brasileiro está para todos os gostos.

Mas quero discutir aqui os motivos porque as pessoas no dia a dia ainda não valorizam o rock como cultura brasileira. O estilo hoje tem mais de meio século de história e alguns tabus ainda existem como a questão da baderna, drogas, a rebeldia contra o sistema, dentre outros preconceitos que nunca foram exclusividade do rock.

Para quem não sabe o estilo no Brasil surgiu nos anos 1950 e estourou mesmo com a jovem guarda entre a década de 1960 e 1970. Artistas como Tony Campello, Albert Pavão, Jerry Adriani, Made in Brazil, Casa das Máquinas, Tutti Frutti tiveram grande destaque e depois foram esquecidos pela mídia. Depois diversas bandas surgiram nos anos de 1980 formando o "rock brasil" com a estética punk inglesa muito forte. O engraçado é que muitas pessoas acham que o rock não é da cultura brasileira por ter vindo de outro país, principalmente um europeu. A pergunta é. O que no Brasil é genuinamente brasileiro? Somos cidadãos do mundo. O samba, ícone da cultura brasileira, por exemplo, é derivado das danças africanas e foi levado à Bahia pelos escravos.

No fundo acho que existe um história de intolerância com as coisas européias e norte americanas pela forma como eles colonizaram os países. Isso faz com que as pessoas tenham um preconceito maior com qualquer estética vinda de fora. Será que tudo que é gringo é ruim? Tudo surge para destruir nosso patrimônio? Acho que a questão destrutiva é muito mais pelo lado da economia do que pela estética mesmo. Por exemplo. Você, hoje, vê nas rádios o pop americano imperando pelo poder financeiro mesmo. O ruim é a falta de espaço para outros estilos. Não estou comparando. Mas eu não acharia bom tocar "Tom Jobim" 3 vezes a cada hora em uma rádio só porque é do Brasil. Isso seria uma maneira muito invididual de ver a música. A verdade é que tudo tem de ser democrático, sem fronteiras e atemporal. O rap tem que ter seu espaço, a banda pop, rock n roll, teen, jazz, a bossa, música erudita, entre outros.

Voltando a história. Durante a construção do rock brasileiro tivemos momentos pra exemplificar a intolerância. Primeiro foi com o papel dos nacionalistas que não admitiam um ritmo estrangeiro no país. Em contrapartida, os "rockers" também não aceitavam o estilo em português e agiam com preconceito contra as bandas brasileiras, principalmente, com aquelas que cantavam na nossa língua. Hoje existem vários estilos musicais abrasilerados como a valsa brasileira, o tango brasileiro, o fox brasileiro, a guarânia brasileira e parece que só o rock não é brasilieiro!

Acho que os tempos mudaram mas a mentalidade intolerante perpetua principalmente para o público em geral. Acho que as referências estéticas ainda são influenciadas por uma vibe protencionista de um Brasil que é muito menos Brasil que a sua própria história. Isso interfere nas políticas públicas, na maneira como as pessoas enxergam um evento, no próprio consumo dos estilos musicais e na falta de leitura de um processo musical efervescente que vivemos. Passou da hora do brasileiro enxergar o país que tem. Este cabo de guerra musical já tá demodé demais. O rock é da cultura brasileira e deve ser valorizado e prestigiado. É direito conquistado.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Escafandro e a borboleta



texto: Tchululu
foto: Site Cinelog

Hoje vi o filme francês "O Escafandro e a Borboleta", dirigido por Julian Schnabel. Trata-se da história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que subitamente vê sua vida mudar após perder todos os movimentos do corpo em um acidente vascular cerebral. Só por meio de um olho ele se comunica com mundo e guarda nas memórias e imaginações o grande refúgio para escrever sobre sua vida. O longa é baseado no livro "Memórias de Jean Dominique Bauby" e trata-se de uma história real.

O filme é bem triste mas propõe uma reflexão muito bonita sobre como enxergamos o mundo. Não vou fazer resenha do filme porque isso você encontra fácil em qualquer sítio, só quero comentar o quão bonita achei a construção das cenas. Aliás é uma especialidade do cinema francês.

Jean-Dominique Bauby é o narrador da sua própria história. Pelos pensamentos "falados" ele expressa suas agonias e reflexões tudo criado de maneira muito poética e sensível. É muito bacana como a limitação trás à tona detalhes que no dia a dia deixamos passar em branco como se fossem a coisa mais comum do mundo. Por exemplo, nós estamos acostumados a ver cores, objetos e edifícios mas não enxergamos seus detalhes. Deu para entender? É uma questão de sensibilidade mesmo.

No filme é impressionante como as cenas são construídas para a gente perceber como tudo ao nosso redor é importante. Um abraço, um diálogo, uma palavra e um simples sorriso ganham a dimensão correta de como isso deveria ser valorizado. É muito bacana ver em imagens de como ele se refugia na sua mente ao criar situações fantasiosas para tornar sua vida mais interessante. Isso tudo se mistura com as próprias memórias numa profunda análise sobre suas atitudes. As cenas são cheias de poesia, lentas e valorizam cada ação

Vou postar a letra de uma música que tem muito a ver com "O Escafandro e a Borboleta". Há muito tempo não escuto Legião Urbana, aliás banda da minha infância. Mas a música "O Livro dos Dias" tem tudo a ver a história do filme. Fica a dica de filme e da música também. Acredito que o Renato Russo escreveu a letra em uma fase bem pesada de sua vida e tal. Grande poeta.

"Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
Já que o tenho sempre a meu lado
Hoje estão aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome
Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção
Não esconda tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores"

terça-feira, 12 de abril de 2011

MANOLOTANGO AFIRMA: FALTAR AO SHOW DOS MANOLOS FUNK É EXTREMAMENTE PREJUDICIAL À SAÚDE!