Manolos Funk e outros independentes!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A "cadeira de prata" quebrou..

Pô! Que notícia triste! O Silverchair, banda australiana dos anos 90, oficializou "férias por tempo indeterminado". Ok. Sem eufemismos! Silverchair "es muerto", "acabou", "finalitê", The End. Uma pena mesmo! Acompanhei e curti a maioria das fases da banda. Desde o grunge juvenil do Frogstomp até o "ópera pop", Diorama, este que considero um dos melhores discos dos anos 2000. Aliás, o Silverchair teve uma evolução impressionante. Souberam se reinventar e continuaram sendo muito populares.

Lembro do show do Silverchair em Belo Horizonte na merda do Mineirinho (Sinônimo de merda = mineirinho.) Na época, eu ainda cantava no Kinkadua e fazíamos alguns covers dos australianos. "Freak" e "Pure Massacre" eram as músicas tocadas. Meu amigo Thiago era um dos mais ansiosos para show. Na boa! Como ele era fanático! Foi um dos primeiros da fila de entrada e ficou agarrado na grade em estado de torpor até o fim do show. Lembro de encontrá-lo ainda segurando a grade depois que todo mundo havia ido embora. Estava em estado de nirvana. Acreditem este não é um trocadilho infame.

Tinha uma banda de Bh que fazia um som muito parecido com o Silverchair. Se chamava Prime, não sei se alguém se lembra. Se o Silverchair era a cópia do Nirvana, o Prime era a cópia do Silverchair. Recordo de ir em vários shows no Matriz desta galera. Aposto que o Diesel, Enne e Prime fizeram muitos shows juntos na época! Eram as referências. No meio de show encontrei a galera do Prime e ficamos ali curtindo as músicas no meio da loucura. O mais bacana é que o Silverchair tocou muito lado B. Curto demais quando uma banda toca o que tá afim sem pressão de público e nada.

Vou postar a música que mais gosto. Torço para a volta dos caras! Mas que voltem a ser os "rebeldes" e "depressivos" porque a onda alegre do último cd tá por fora!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Paradoxos contemporâneos: Forró de Plástico ou Tradição?



Texto: Tchululu
Fotos: Site Coletivo Pegada, radar sertanejo, downmusicas e iparaiba

Participei nos dias, 29 e 30 de abril, do Seminário "Comunicação e Cultura" promovido pela Aff! e Observatório da Diversidade Cultural. Particulamente, gostei demais do primeiro dia pela proposta reflexiva trazidas pelos palestrantes José Márcio, Mestre em Antropologia Social pela UNICAMP e doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ e Vera França, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Réné Descartes – Paris V e professora do Mestrado em Comunicação Social da UFMG.

Acho que acertaram em cheio ao problematizar a relação entre a comunicação e cultura sem tomar partido das questões, até mesmo porque ainda não temos uma resposta clara sobre determinados pontos. No começo, Vera França abordou sobre o tema
cultura e as modificações do conceito durante os séculos e depois José Márcio foi muito feliz ao relacionar os dois temas juntos.

No caso, gostei demais quando o palestrante afirmou que a comunicação e cultura não devem ser encarados como uma relação de força entre um lado "forte" dando suporte ao lado "fraco". Ou seja, a comunicação não deve servir de suporte para a cultura e vice-versa. Eles devem ser entendidos como processos convergentes, uma construção mútua. Além disso, a conversa tem que sair do âmbito dos meios de comunicação para uma mediação das relações que estão no espaço real, através dos seus símbolos, no espaço cibernético através das rede sociais e outros dispositivos.

Diante deste contexto, José Márcio, contextualizou a cultura e comunicação no espaço contemporâneo. Para isso, usou diversos autores. Vou me ater ao filósofo francês,Edgar Morin, sobre a questão dos "paradoxos" pois achei o mais interessante.

No caso, Morin afirma que vivemos em um mundo que realidades distintas se chocam . Por exemplo, como é que neste mundo de tecnologias e democratização cada vez mais as pessoas se tornam menos reflexivas diantes dos processos? Ao usar Morin, José Márcio afirma que nunca foi tão fácil ter acesso ao conhecimento e o que ele percebe é uma sociedade extremamente voltada a técnica e não ao diálogo e construção do saber. É o grande paradoxo.

Vera França se mostrou preocupada pelo fato das pessoas escutarem cada vez menos, principalmente no mundo virtual. Para ela, neste momento, as pessoas tendem a exposição de pensamentos, informações e até autoafirmação mas não buscam refletir sobre as questões. É como se as pessoas estivessem em uma sala e todos estivessem falando ao mesmo tempo. Ou seja, muita informação e pouco conhecimento pela poluição do processo.

José Márcio também apresentou algumas problematizações da relação entre cultura e comunicação que precisam ser bastante discutidas.
Uma delas foi: O que nos queremos ser como cidadãos? Um país onde a diversidade cultural perpetua através da sua dinâmica natural ou precisamos de um resgate histórico para reafirmar uma identidade no intuito de sermos espelhos de nós mesmos? Diante deste fato, deparei com uma notícia interessante para fazermos uma paralelo diante destes paradoxos contemporâneos.

No dia 18 de abril, li uma reportagem intitulada, "Chico César contra o forró de plástico". Para quem não sabe, Chico César, músico e secretário da cultura da Paraíba, afirmou que o estado não dará apoio ao forró de "plástico" nas festas juninas no intuito valorizar o forró tradicional como patrimônio regional. E aí, entra a questão. Seria uma "ditadura cultural" implantada pelo secretário ou realmente é necessário resgatar músicos como Benedito do Rojão, Geraldo da Rabeca, João Gonçalves, emboladores, e repentistas que hoje vivem como memória empueirada diante do mercado business do forró de "plástico"?


Em contrapartida, não seria uma intolerância ao novo forró, principalmente, aos artistas responsáveis por gerar milhões de renda ao estado pela movimentação turística promovida e pelos grandes shows realizados que trazem crescimento local? É a pura marca dos paradoxos de Morin.


Eu tenho uma opinião sobre esta questão e ela passa pela questão da educação. As pessoas hoje em dia tem muito pouco conhecimento sobre história. Cada vez mais técnicas elas não estão acostumadas a pensar na construção dos processos ou conhecer a dinâmica dos movimentos culturais para realizar escolhas. Acredito que é uma intolerância por parte do Chico César, mas entendo os motivos que o fez tomar este tipo de atitude. Me incomoda também a falta de conhecimento sobre a própria cultura regional tão importante para entender a identidade.

O problema é que não se pode impor reflexão para quem não está preparado para receber. Se não o tiro sai pela culatra mesmo. Por isso, acredito no processo educacional. Parece chover no molhado, mas as pessoas precisam ter educação de qualidade para escolher o que quiserem de maneira mais justa. Se por um lado é uma atitude ditatorial do secretário é também uma maneira de chamar atenção para o resgate de uma história que não pode ser esquecida. Até mesmo para a opção da diversidade cultural temos que criar pessoas críticas dentro deste contexto para que elas saibam das consequências das escolhas. Tipo de conhecimento que hoje ainda está muito distante de acontecer.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Jon Bonjoveísmo" e a convivência entre os músicos!



Texto: Tchululu
Foto: Revista Rolling Stones
Obs: Fiz questão de colocar a foto mais poser possível

Ontem estava vendo um especial da banda Bon Jovi na televisão e eles falavam sobre a convivência entre eles nestes 20 poucos anos de carreira. É muito bacana como as relações humanas em grupos são iguais independente do status atingido. Em bandas isso interfere ainda mais porque ,na maioria das vezes, a relação profissional está praticamente ligada as relações pessoais. As dificuldades aumentam porque é difícil tirar "férias" dos outros quando os músicos convivem o tempo inteiro em turnês gigantescas, possuem compromissos intermináveis e muitas vezes aproveitam o "tempo livre" estando juntos. Como o próprio Rick Sambora, guitarrista do Bon Jovi, afirma: "É como se fosse um casamento, mas sem sexo. Não é exatamente uma família. É uma relação diferente"

Sobre o Bon Jovi achei intrigante uma coisa. Lá nada funciona da maneira democrática. É um "Jon Bon joveismo" escancarado mas que hoje todos conseguem conviver com isso. O vocalista determina tudo e precisa dos músicos para conduzir os pensamentos. David Bryan, tecladista, disse que no começo eles compraram a ideia de ter uma banda nos moldes do Jon Bon jovi. Como foi uma fórmula certeira eles acreditam que é assim de tem de ser. É engraçado como eles creditam o sucesso da carreira ao vocalista mesmo. Richie Sambora até afirma que uma das funções era deixar o Jon Bon Jovi "feliz". Era uma maneira de deixar o ambiente sempre em paz e harmonioso. Estas atitudes, claro, acabaram sufocando todo mundo e eles chegaram a ter psicólogo. Durante este percusso, problemas com bebidas e crises familiares associadas ao stress diário e de um "absolutista", quase acabaram com a banda.

O bacana que hoje os caras conseguem ver este processo de maneira mais clara. Todos possuem seus projetos paralelos e são incentivados a isso. É uma maneira de manter a saúde mental de todos. Acredito também que o projeto musical tornou a "galinha dos ovos de ouro" para todo mundo. O Chefe ganha muito bem e os empregados ganham o suficiente para estarem muito bem também. kkkkkkkkkk


Nos Manolos Funk, as proporções são menores, óbvio, mas também temos nossos desafios de convivência e por mais que todo mundo ache nem sempre é fácil. Todos nós conhecemos as qualidades e defeitos dos outros e muitas vezes nos tornamos até intolerantes. Além disso, existem as diferenças pessoais. Cada um possuiu uma criação diferente e vêem de histórias distintas. Isso interfere até mesmo na maneira como você enxerga a criação musical. Eu particulamente, estudei durante 17 anos em um colégio Católico e venho de uma juventude muito mais polida que os meninos. Sempre cresci com a imagem de "bom menino" mesmo. Quem me conhece sabe. Mas isso de longe me torna uma pessoa fácil. Sou bem rabujento, sistemático, preguiçoso e quando discordo é uma dificuldade gigante para ser tolerante. Mas faço isso sem muito barulho. É minha maneira de ser.


Seguindo o divã: Musicalmente sou do pós grunge, não tenho um lado rebelde exarcebado como meus colegas de 30 e poucos! kkkk Enquanto os meninos viviam o grunge eu ainda era da fase Legião urbana e outras bandas existencialistas. Fui também um típico garoto do "Top 10" da MTV. Escutava de Silverchair até Michael Jackson. Ultra farofa.

Mas enfim, o interessante deste papo todo é mostrar que toda relação de grupo para funcionar precisa de um objetivo definido. Neste meio tempo, você tem de aprender a se impor para não se sentir sufocado, mas tem de ceder também. O tempo mostra que você erra e acerta inúmeras vezes e isso não te faz maior ou menor dentro do processo. Ser transparente é importante demais para o crescimento das coisas. É melhor que uma discussão aconteça e seja resolvida ali mesmo do que guarda-la pra te corroer. No Manolos Funk a gente segue aprendendo a fazer isso diariamente, mas tudo isso tem o objetivo de fazer a banda chegar onde a gente acredita. Somos filhotes ainda. Esta história é a de hoje. Veremos daqui há 20 anos! Nesta vida é tudo dinâmico e temos de ter consciência disso. Mas por projeção vejo um futuro bacana.

Ou seja, acho que não nos mataremos! kaakkakak

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ella é demais!



Texto: Tchululu
Foto: Site tyrolis.com

Dia 25 de Abril, pós páscoa, é aniversário da americana "Lady Ella", uma das maiores cantoras de Jazz de todos os tempos. Ella Fitzgerald (1917- 1996) era uma cantora a cima da média principalmente por ter uma extensão vocal de 3 oitavas. Ou seja, ela flutuava facilmente entre graves e agudos. Além disso, tinha uma dicção impecável além de improvisar com uma técnica impressionante de swing e scat.

Lady Fitzgerald na verdade queria ser dançarina. Mal sabia das suas qualidade vocais diferenciadas. Tanto é que sua primeira apresentação foi totalmente por acaso. Em 1934, em um show de calouro, "Amateur Night Show", ela entrou no palco para realizar uma perfomance mas de tanta vergonha preferiu cantar. A decisão foi providencial. Em pouco tempo a menina pobre, filha de lavadeira, se tornaria a "rainha do Jazz", uma das maiores cantoras de todos os tempos.

Depois do concurso ela sofreu preconceito por acharem ela feia para merecer destaque em grupos vocais. Foi contratada, depois de muita pressão, pelo baterista Chick Webb como cantora titular de sua orquestra e o sucesso veio a galope.

Em 1940, gravou com grupos vocais importantes, além de nomes como Louis Jordan e Dizzy Gillespie, ícone do Beepob. Mas foi a parceria com Louis Armstrong que elevou seu nome a rainha do Jazz. Os 3 discos resultados da parceria são considerados, até hoje, como grandes clássicos do jazz.

Em 1950, começou a cantar baladas escritas por George Gershwin, Cole Porter e Irvin Berlin. Até as músicas de Tom Jobim também entraram no "pacote". Ella também continuou participando de duetos com grandes nomes do Jazz como Duke Elligton e Oscar Peterson.

O final de década de 1950 e a década 1960 foi marcada por alguns problemas de saúde e crises nervosas devido ao ritmo alucinado de apresentações. Já em 1975, o diabetes obrigou a cantora a ter uma vida mais pacata o que fez reduzir vertiginosamente o número de shows. Em 1993, a cantora teve de amputar as pernas devido a complicações causadas pela doença.

A cantora manteve o nível de sua popularidade sempre em alta até falecer com 78 anos em 1996. Fica aí o registro deste vozeirão de "menina" sensacional. Quem não conhece vale a pena.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O rock é cultura brasileira?



texto: Tchululu
Foto: site "história do mundo"

Existe uma grande efervescência de bandas que compõem o rock brasileiro contemporâneo. Muitos acreditam que o estilo está em baixa no Brasil devido a "fenômenos" como "Restart", "Cine", dentre outros, mas com o surgimento da Internet é possível conhecer bandas beeeeeem mais interessantes do que estas. Quem fica nesta de saudosismo com a música tem preguiça de pesquisar ou está muito fora do processo. Existe bandas de rock com letras boas, timbres diferentes e estéticas diversas. É inegável que o rock brasileiro está para todos os gostos.

Mas quero discutir aqui os motivos porque as pessoas no dia a dia ainda não valorizam o rock como cultura brasileira. O estilo hoje tem mais de meio século de história e alguns tabus ainda existem como a questão da baderna, drogas, a rebeldia contra o sistema, dentre outros preconceitos que nunca foram exclusividade do rock.

Para quem não sabe o estilo no Brasil surgiu nos anos 1950 e estourou mesmo com a jovem guarda entre a década de 1960 e 1970. Artistas como Tony Campello, Albert Pavão, Jerry Adriani, Made in Brazil, Casa das Máquinas, Tutti Frutti tiveram grande destaque e depois foram esquecidos pela mídia. Depois diversas bandas surgiram nos anos de 1980 formando o "rock brasil" com a estética punk inglesa muito forte. O engraçado é que muitas pessoas acham que o rock não é da cultura brasileira por ter vindo de outro país, principalmente um europeu. A pergunta é. O que no Brasil é genuinamente brasileiro? Somos cidadãos do mundo. O samba, ícone da cultura brasileira, por exemplo, é derivado das danças africanas e foi levado à Bahia pelos escravos.

No fundo acho que existe um história de intolerância com as coisas européias e norte americanas pela forma como eles colonizaram os países. Isso faz com que as pessoas tenham um preconceito maior com qualquer estética vinda de fora. Será que tudo que é gringo é ruim? Tudo surge para destruir nosso patrimônio? Acho que a questão destrutiva é muito mais pelo lado da economia do que pela estética mesmo. Por exemplo. Você, hoje, vê nas rádios o pop americano imperando pelo poder financeiro mesmo. O ruim é a falta de espaço para outros estilos. Não estou comparando. Mas eu não acharia bom tocar "Tom Jobim" 3 vezes a cada hora em uma rádio só porque é do Brasil. Isso seria uma maneira muito invididual de ver a música. A verdade é que tudo tem de ser democrático, sem fronteiras e atemporal. O rap tem que ter seu espaço, a banda pop, rock n roll, teen, jazz, a bossa, música erudita, entre outros.

Voltando a história. Durante a construção do rock brasileiro tivemos momentos pra exemplificar a intolerância. Primeiro foi com o papel dos nacionalistas que não admitiam um ritmo estrangeiro no país. Em contrapartida, os "rockers" também não aceitavam o estilo em português e agiam com preconceito contra as bandas brasileiras, principalmente, com aquelas que cantavam na nossa língua. Hoje existem vários estilos musicais abrasilerados como a valsa brasileira, o tango brasileiro, o fox brasileiro, a guarânia brasileira e parece que só o rock não é brasilieiro!

Acho que os tempos mudaram mas a mentalidade intolerante perpetua principalmente para o público em geral. Acho que as referências estéticas ainda são influenciadas por uma vibe protencionista de um Brasil que é muito menos Brasil que a sua própria história. Isso interfere nas políticas públicas, na maneira como as pessoas enxergam um evento, no próprio consumo dos estilos musicais e na falta de leitura de um processo musical efervescente que vivemos. Passou da hora do brasileiro enxergar o país que tem. Este cabo de guerra musical já tá demodé demais. O rock é da cultura brasileira e deve ser valorizado e prestigiado. É direito conquistado.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Escafandro e a borboleta



texto: Tchululu
foto: Site Cinelog

Hoje vi o filme francês "O Escafandro e a Borboleta", dirigido por Julian Schnabel. Trata-se da história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que subitamente vê sua vida mudar após perder todos os movimentos do corpo em um acidente vascular cerebral. Só por meio de um olho ele se comunica com mundo e guarda nas memórias e imaginações o grande refúgio para escrever sobre sua vida. O longa é baseado no livro "Memórias de Jean Dominique Bauby" e trata-se de uma história real.

O filme é bem triste mas propõe uma reflexão muito bonita sobre como enxergamos o mundo. Não vou fazer resenha do filme porque isso você encontra fácil em qualquer sítio, só quero comentar o quão bonita achei a construção das cenas. Aliás é uma especialidade do cinema francês.

Jean-Dominique Bauby é o narrador da sua própria história. Pelos pensamentos "falados" ele expressa suas agonias e reflexões tudo criado de maneira muito poética e sensível. É muito bacana como a limitação trás à tona detalhes que no dia a dia deixamos passar em branco como se fossem a coisa mais comum do mundo. Por exemplo, nós estamos acostumados a ver cores, objetos e edifícios mas não enxergamos seus detalhes. Deu para entender? É uma questão de sensibilidade mesmo.

No filme é impressionante como as cenas são construídas para a gente perceber como tudo ao nosso redor é importante. Um abraço, um diálogo, uma palavra e um simples sorriso ganham a dimensão correta de como isso deveria ser valorizado. É muito bacana ver em imagens de como ele se refugia na sua mente ao criar situações fantasiosas para tornar sua vida mais interessante. Isso tudo se mistura com as próprias memórias numa profunda análise sobre suas atitudes. As cenas são cheias de poesia, lentas e valorizam cada ação

Vou postar a letra de uma música que tem muito a ver com "O Escafandro e a Borboleta". Há muito tempo não escuto Legião Urbana, aliás banda da minha infância. Mas a música "O Livro dos Dias" tem tudo a ver a história do filme. Fica a dica de filme e da música também. Acredito que o Renato Russo escreveu a letra em uma fase bem pesada de sua vida e tal. Grande poeta.

"Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
Já que o tenho sempre a meu lado
Hoje estão aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome
Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção
Não esconda tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores"

terça-feira, 12 de abril de 2011

MANOLOTANGO AFIRMA: FALTAR AO SHOW DOS MANOLOS FUNK É EXTREMAMENTE PREJUDICIAL À SAÚDE!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estamos indo para onde?

Hoje foi um dia muito triste para todos nós que somos pessoas de bem. Ver nos noticiários o assassinato de 11 crianças e mais de 13 feridas dentro de uma escola no Rio de Janeiro, por motivos ainda não esclarecidos, deixam a gente bastante triste. Não vou escrever aqui como especialista e estudioso do caso, até porque não sou muito devorador de tragédias noticiadas, apesar de jamais fechar os olhos e não me sensibilizar a elas.

Vim propor uma reflexão com vocês sobre como estas notícias são expostas nos noticiários e acho até plausível conversar sobre isso hoje, já que, é dia do Jornalista. Estava vendo um destes programas da tarde e há muito tempo me incomoda a abordagem superficial de alguns profissionais. Muito bem articulados eles esbravejavam sobre o caso. “É um vagabundo”, “Um safado deste não merece viver”, “Passou na hora da pena de morte”, “É uma coisa horrível”, entre outras coisas.

Lógico que não vou entrar no mérito da situação e justificar nada, até porque não tem como. Um rapaz de 24 anos matou 11 crianças, deixou 13 feridas e suicidou dentro de uma escola deixando uma carta desconexa explicando seus motivos. Destruiu famílias e sonhos. Esta é uma notícia, um fato. Agora o que me incomoda é que a discussão nos meios de comunicação raramente tenta aprofundar a situação sem espetacularizar. Sim, eu conheço os critérios de noticiabilidade, sei como funciona esta redoma mercadológica das notícias, mas tenho direito de não concordar.

Acredito que foco da discussão é tentar entender como este rapaz chegou de fato a cometer este ato. Tentar entender o contexto histórico e social é muito importante não apenas para enxergar os motivos pelo qual ele matou, mas para criar mecanismos sociais para que outros jovens não cheguem e comentam de novo atrocidades como estas. Claro que nada é tão objetivo. Nem sempre um cidadão que sofre bulling na escola, é pobre ou foi humilhado dentro de casa se tornará um assassino, ladrão, etc... Aliás, a maioria não é.

Eu falo isso porque não acredito em maldade genética. De repente estudos provam isso, mas eu tenho uma teoria pra mim. Nesta vida ou as pessoas se estragam por alguma coisa ou em outros casos são doentes. Existem pessoas ruins? Claro que sim. Mas não acredito que elas nascem com o “dom” de serem ruins. Parece contraditório dizer isso, principalmente pela minha tendência espírita, mas mesmo um espírito pouco evoluído não volta à terra para fazer o mal. Ele vem buscar é evolução, mas é aqui que não suporta a pressão e fracassa, justamente pelos pontos que expus. Mas enfim, não é esta discussão.

O importante é a pergunta. O que anda acontecendo com a vida das pessoas? A rotina de vida, a falta de espiritualidade (não estou falando de religião) e a busca exagerada pelo ter provoca conseqüências na vida de cada um. Então como resolvê-las? Nós, cidadãos comuns, podemos fazer algumas coisa pela saúde mental e bem estar uns dos outros? Se sim, o quê? As pessoas precisam é escutar isso e estes desdobramentos são muito pouco explorados no dia a dia. Quando tentam abordar preocupam mais com o ibope e espetacularizam.

Especificamente sobre o caso. Vamos imaginar que o rapaz possui algum tipo de doença psicológica. Por que ela não foi tratada? Falta de conhecimento, omissão familiar, governo ou falta de estrutura? Sei lá, de repente realmente existam pessoas ruins. Os sociopatas como dizem, não é? De repente é influência maligna mesmo. Mas não é somente noticiando tragédias atrás de tragédias que a vida das pessoas irá mudar. Elas precisam escutar perspectivas e soluções. Necessitam de capacidade reflexiva para catalisar a indignação para algo realmente importante e modificador. Por enquanto, o papel dos meios de comunicação é a simples propagação do medo e da gratuita promoção da indignação. Esta sempre substituída por novas notícias tragicamente maiores.

Pobre ser humano! Continua seu réquiem trágico sem nem saber como resolver seus próprios dramas sociais e psicológicos. E pior, sempre pouco incentivado a pensar sobre isso. É a perdição..

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Calmaria para dar e vender



Texto: Tchululu
Flyer: Marcelo Sponchiado

Quarta feira que vem, 13/04, os Manolos Funk recebem o Monograma para o projeto "Manolos convida" lá no Excalibur Pub. Teremos algumas novidades para a galera no nosso show que não vou adiantar! Surpresa é surpresa! kkkkk Mas vou falar do nosso convidado!

Para as pessoas que ainda não conhecem, o Monograma é uma banda bem bacana de Belo Horizonte e em pouco tempo conquistou um público bastante fiel. Fazendo um som autoral, com letras bem feitas e uma sonoridade que passa por influências de Beatles, Los Hermanos e outras inglesas, a banda definiu de forma perfeita o próprio som em uma programa da Puc que vi. Um "Rock Feliz"!

Lembro com satisfação de alguns shows dos meninos. Um deles foi na Obra com a banda "Pré Pagos" de Barbacena. A energia do show é sempre de festa. O público faz até "túnel" de festa junina! Muito bacana. O ponto mais interessante da banda pra mim é a facilidade com que eles trazem o público pra dentro do show. Claro que isso só é possível pela qualidade do som. Eles fazem jogos de vozes com muita propriedade e têm arranjos muito bem feitos apesar da proposta aparentemente simples.

Agora sem dúvidas o ponto ápice da carreira do Monograma foi o show deles no Festival "Transborda" do Coletivo Pegada. Muitos consideraram um dos melhores shows do evento e isso realmente é muito valioso quando se tem um festival com artistas de muita qualidade e renome. Em uma das músicas o palco ficou lotado com o pessoal do coletivo Pegada cantando e se divertindo a beça. Foi um dos momentos mais bacanas do "Transborda".

Outro momento bacana foi lá em Patos de Minas no festival "Marreco". Os meninos tocaram e a galera se divertiu muito. Rolou até uma participação do "Salgado" do 4 Instrumental nos teclados. Show de bola! Lembro de ver uma tiazona delirando e tentando cantar as letras! Virou super fã! Foi massa demais. Ela olhava pra mim e me chamava para curtir o show lá no meio e ficava abrindo a boca tentando acertar as letras. Logo, logo a parte da frente do palco estava cheia com todo mundo delirando lá. Super feliz.

É uma super satisfação convidar o Monograma para esta noite de festa com a gente. Tenho certeza que o público vai curtir bastante. O detalhe é que ambas as bandas tem suas músicas chamada "Calmaria". A nossa é "Surround, surround, surround a Calmaria é Surround" a deles é "Tudo vai estar em calma, calmaria, calma, Maria toda tonta tola que já vamos voar".

Vou fazer um trocadilhor aqui. "Tudo vai estar em calma, calmaria surround como um barco leva a vida fique calma Maria toda tonta tola que já vamos voar"





Tá junto e misturado ou não está?!
:)

segunda-feira, 4 de abril de 2011



foto: Por Olho de Peixe Fotografia - Marina Costa e Eliane Gomes
texto: Tchululu

Os Manolos Funk já possuem uma experiência na estrada, mas tem viagens que sempre surpreendem, não é? Semana passada participamos do Grito Rock em Juiz de fora e foi um dia que me deu muito orgulho de ser músico.

Como todo mundo sabe, somos uma banda autoral. E toda as escolhas tem seu ônus e seu bônus. O bônus é ter liberdade para fazer as coisas do jeito que quiser. Ou seja, ser artista mesmo e não ficar a sombra de qualquer banda que seja. O ônus é a dificuldade de gerar sustentabilidade e conseguir situações profissionais que dê o retorno do seu investimento. E esta foi a grande questão. O Cultural Bar, local onde foi realizado o Grito Rock em JF, deu uma mostra muito bacana de como deve ser a relação profissional entre artistas e casa. Em Primeiro lugar, temos que valorizar o trabalho do coletivo "Sem Paredes" que articulou o contato e fez com que a casa apostasse no evento. Muito bacana mesmo. Parabéns a Virgínia e a galera do coletivo.

Em primeiro lugar vou falar da estrutura. A casa é realmente muito bonita e bem estruturada. Me lembra de certa maneira o Estúdio Bar, só que maior e com qualidade de som ainda mais bacana. E olha que o Estúdio Bar pra mim é uma das casas de show mais bacana de Belo Horizonte. Chegamos lá assinamos o contrato. E isso foi uma coisa oferecida pela casa, já que todo artista tem direitos e deveres. Muito legal. O atendimento também foi fora do comum. Na passagem de som, o técnico mostrou-se sempre paciente e cuidadoso. Até gravou o som e jogou nas P.As para mostrar como estava o som na casa. É raro este tipo de coisa. Depois a casa ainda nos ofereceu um jantar e pensaram até nos meninos que são vegetarianos.

Depois da passagem fomos ao Hotel para descansar nossa beleza. Que é muita, diga-se de passagem! kkkkk! As condições foram as melhores possíveis. Tudo do bom e do melhor mesmo. Muito bacana. Pena que deu pra aproveitar pouco, pois chegamos em cima da hora.

Tinha tudo para ser um grande show como foi mesmo. Foi nossa primeira apresentação com os "Cabeções" e gerou uma repercussão muito legal. Confesso que foi uma experiência meio instigante cantar com aquele "quadrado" na cabeça, mas foi muito doido. A gente fica até mais desinibido. O bacana é que a casa ficou muito cheia e ficamos muito felizes com a maneira como o público nos recebeu. Eu falo isso, por que o Móveis Coloniais já tem seu público e o o Silva Soul é uma banda de lá e também tem seus admiradores, além de mesclar o repertório com covers. Fomos o elemento "surpresa" e a resposta foi a melhor possível. Ou seja, dá para apostar em banda autoral sim. Claro, que hoje nos sentimos preparados para viver estas situações porque temos história de muito trabalho e suor. E aliás ele é contínuo. Tem muita coisa ainda a se fazer.

Um agradecimento especial ao coletivo Sem Paredes pela produção e ao coletivo 77, de Barbacena, que prestigiaram o evento. A noite nunca é a mesma sem vocês! É a grande mostra que o Circuito Fora do Eixo está cada vez mais profissional, sempre buscando melhorar as condições de trabalho para os músicos que escolheram a arte como profissão. E vale a dica também! Músicos independentes do meu Brasil busquem ser profissionais para exigirem profissionalismo. Sejam sempre solução e nunca repetição problema! Este "mantra" tá batido! Esta é a dica! Acho que é válido dizer isso! :)

Abraços!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Parabéns Dona Neca! Hoje é seu dia! :)))



Texto: Tchululu
Foto: centroliterariopiracicaba-clip.blogspot.com

Hoje é aniversário da Dona Neca, minha mãe. Esta senhora/moça de 55 anos de idade é uma das pessoas mais divertidas que conheço. Mas diga-se de passagem, ela não parece uma mãe convencional. Não existe mimo, aquela preocupação sobre as horas para chegar em casa, palpites sobre o tipo perfeito de nora desejada. É uma mãe do jeito dela.

As vezes é turrona e de pouco contato. Acha tudo frescura e gosta da moda masculina porque tudo é mais simples. Detesta mulher de salto e cozinha, mas adora esporte. Aliás, vive dando uma corridinha básica na lagoa da Pampulha. É uma mulher guerreira também. Trabalhou durante 15 anos de segunda a segunda em horário de shopping até conquistar o sonho de ter a loja em casa com horário mais flexível.

Ela também ela é incrível para deixar a gente em situações constrangedoras. Sua grande especialidade! kakka Certa vez, ele tingiu o pano de chão do banheiro de azul. Estava na casa minha prima e alguma amigas e todas ficaram com o pé azul porque o pano não havia secado direito! Foram horas de riso.

Outra situação inusitada foi o episódio do cão de rua na casa do meu amigo banana. Foi um dia digno de “Trapalhões”. Primeiro minha irmã corre atrás de um cachorro que ela julgava ser o Dib, nosso cão. Ela conseguiu trazer o cachorro no colo sem perceber que não se tratava dele, já que o Dib não havia fugido. O “Espluft”, nome provisório que dei, se apegou tanto a minha mãe que não queria largar dela. Aí rolou a estratégia da volta no quarteirão.

O cachorro seguia atrás de minha mãe quando ela viu a casa do banana e pensou. “O banana tem 10 gatos, 5 cachorros, 3 periquitos e 11 pacas não deve se importar com mais um cachorro. Simplesmente jogou o cachorro na casa do banana na cara de pau. O pior foi ela contando para o próprio banana depois. A pobre Cristina, mãe do Rafael, gastou uma grana no veterinário para cuidar do bicho e minha cara foi lá no chão! Akkakakk

Minha mãe é doida pra me casar rápido. Eu em contrapartida, digo: “Casar é o caralho vou é ficar com você. Um super 40 dentro de casa”. Ela fica puta. Outra prática muito constante é bulinar minha mãe. Dou tapa na bunda, pulo em cima, aperto e fico passando os dedos nela. Ela se irrita com meus dedos mágicos! Quanto mais ela fica irritada mais eu faço!

Dona Neca tem o sonho de ter uma casa na praia para cuidar dos Netos e tem jargões próprios. “A nivel de futuro”, “Este tem cara de machochô” são alguns, dentre outros que faço questão de imitar antes mesmo dela usar. Ela fica “Vou passar sangue na sua cara se não parar de me imitar” kkkkkkkk

Pois é! Daria para escrever um livro com tantas histórias. A gente aqui em casa não é muito de dizer, “Eu te amo”, estas coisas, mas ela sabe o quando agradeço a Deus por estar em minha vida. Agradeço por apoiar meu sonho de ser músico e por dar liberdade de ser feliz da minha maneira. Obrigado mãe! PARABÉNS!

terça-feira, 22 de março de 2011



texto: Tchululu
Foto: Arquivo pessoal (Show na Uni BH)

Os Manolos Funk voltam a Juiz de fora pela terceira vez. Desta vez vamos tocar no Grito Rock ao lado de bandas como Móveis Coloniais de Acaju e Silva Soul. É engraçado ver como anos passam e realmente a banda deu passos importantes desde a última apresentação na cidade.

Vou contar para vocês sobre nossas duas passagens em Juiz de Fora, a cidade mais carioca de Minas Gerais. Falo de antemão que não é pejorativo, já que curto demais o Rio de Janeiro e acho natural a influência pela proximidade.

Em 2006, logo mais de um ano de banda, nos inscrevemos em um festival naquela escola “Pro Música” no Centro de Juiz de Fora. Naquela época, ainda tocávamos com o primeiro guitarrista, Thiago Neves, e mesclávamos nosso repertório com vários covers. Era aquele festival tipo: “Ganha o melhor! Os críticos analisam e público ajuda decidir”, coisa que acho desprezível hoje. Incentivar este tipo de concorrência é uma maneira de criar uma rivalidade desnecessária. Mas enfim, toda experiência musical é válida, ainda mais no começo de banda.

O mais engraçado é que saímos duas vezes de BH e fomos tocar 2 músicas senhores. Putz viajar 4 horas para tocar 2 músicas é no mínimo “fomeagem”, não é? Faz parte!

Na primeira vez, chegamos lá e vimos aquelas milhões de bandas. Parecia uma peneirada de futebol. Cada uma carregando suas tralhas de instrumentos e ferragens.
Não me lembro a ordem das bandas, mas me recordo de esperar algumas horas para tocar e ter de entrar no palco para arrumar as coisas em 10 minutos. Que Desespero dá Pó***! Frases como “Anda! Ta na hora! Estão atrasados! Serão penalizados!” foram ecoadas pela produção no meio do caos.

É impressionante o conceito destes festivais. Lotam um teatro (única parte boa), faz os meninos venderem os ingressos, colocam 300 bandas que parecem leões de arena querendo comer uns aos outros e exigem que você faça as coisas em tempo record para não atrasar o evento. Realmente os músicos são muito desrespeitados.

Lembro de tocar na primeira vez um cachorro morto, “Bulls on Parede”, do Rage Against The Machine seguido de Universo Fashion. É claro, que o som no palco estava um lixo, nem precisa explicar porque, mas as pessoas curtiram o show. No geral as bandas não eram muito boas, mas tinham sim, algumas com bastante potencial. Não sei se ainda existem.

Passamos para a fase final. Voltamos a Juiz de Fora com a idéia de chutar o balde. O regulamento mandava 1 cover + 1 própria. Tocamos “A queda e “Universo Fashion” sem dó nem piedade. O público curtiu de novo. Nós éramos muito caóticos! Akkakak Mais uma vez demoramos para tocar o que gerou um stress foda na viagem de volta. O Thiago brincou de fórmula 1 na estrada e quase partiu os instrumentos no porta malas ao passar em um quebra mola com uma velocidade alta. O Marcelo ficou puto pra caralho!

Enfim, moral da história festival competitivo de cú é rola! kkkk Ganhamos uns prêmios individuais lá, mas pelo conceito do festival acho que nem vale a pena divulgar.

O bacana vai ser voltar a Juiz de Fora no Grito Rock com uma condição de trabalho muito melhor. Ter uma estrutura bacana de som e poder passar o som são coisas mínimas que todo evento tem que ter e desde já agradeço o coletivo “Sem Paredes” por ter esta sensibilidade! As bandas devem idealizar isso sempre, não podem ser omissas neste sentido! Fodas se vão te chamar de mítido, estrelinha e o escambal. Se você encara música como profissão tem que cuidar do seu trabalho mesmo. Isso não é ser mítido é ser profissional. É a melhor maneira de você valorizar o próprio evento que o cara produziu!

Grande abraço Galera!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Viva Itu! Itu!

Por Tchululu
Foto: www.lazermusica.com

Pois é galera! Hoje é o aniversário de Itu, "grande" cidade de São Paulo. E como diz a lenda lá tudo é gigantesco. Não sei se esta história é verdade, mas se for para tratar de grandiosidade podemos citar Itu como a cidade que recebeu o show mais esperado dos últimos tempos! O do RAGE AGAINST THE MACHINE no festival SWU!

Não tive oportunidade de ir ao show dos caras pois me recuperava de uma operação, mas alguns amigos foram. Todas falaram que foi destruidor! Pela televisão pude curtir a vibe da galera. Pô fiquei emocionado, se é que este sentimento cabe com Rage! kaka ! :))

Curto RATM desde sempre. Antes dos Manolos Funk tive uma outra banda, Kinkadua, e a gente tocava Sleep now in the fire! Era massa! Uma das músicas do repertório que mais gostava. O Rage realmente é uma banda única. Esta mistura de Rock n Roll com Hip Hop e o envolvimento político dos caras transformam a banda em um barril de póvora musical. Minha adolêscencia foi toda embalada por músicas como Freedon, Testify, Down Rodeo, Guerrilla Rádio e Wake Up. Lembro até pensar em fazer uma tatuagem do "Che Guevara" só por conta do Rage.

Hoje sou um cara mais eclético do que antigamente. Alguns mais rebeldes dizem que os ecléticos não possuem personalidade musical. Eu discordo, mas nem quero polemizar. É engraçado olhar para os meus mp3 e apertar um suffle da vida e ouvir tocar uma música do Rage seguido de Lenine, Cartola, James Brown, Led Zeppelin, Fiona Apple, Alicia Keys, Tears for fears, Zeca Baleiro, Jamiroquai, Incubus, faith no More e um tanto de coisa! Enfim, fica aí a homenagem ao Rage e uma pergunta aos amigos.

E aí, dá para ser eclético e ter personalidade musical gostando de estilos de bandas diferentes e de épocas tão distantes? Quero ver a opinião de vocês! Um abraço galera

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mahatma Gandhi


Existem pessoas que vem ao mundo para fazer diferença. Uma dela é o Mahatma Ghandi. Este grande líder indiano foi assassinado no dia 30 de janeiro de 1948 por um hindu. É bacana quando personalidades surgem no mundo e conseguem grande revoluções a partir de seus ideais. Gandhi durante anos travou uma "batalha" contra a Gra Bretanha pela independência indiana e fez tudo isso sem promover a violência. Após a independência, o lider espiritual sofreu muito ao ver o país ser divido, tanto é que quando surgia conflitos territoriais entre hindus, muçulmanos e os paquistaneses jejuava até cessar os combates.

Um dos episódios que mais me marcou sobre o Gandhi foi um singelo ato de elevação espiritual bem escrito no Jornal Angola, trecho abaixo:

"Durante a sua luta para obter justiça social na África do Sul, Gandhi foi várias vezes detido pelas autoridades. Uma vez preso, Gandhi aprendeu a fazer sandálias de pele com outro prisioneiro. Alguns dias mais tarde, o General Smuts chamou Gandhi e disse-lhe que havia uma amnistia geral e que ele fora libertado. À saída, Gandhi ofereceu um pequeno pacote embrulhado ao general Smuts. O general perguntou: - “O que será isto? Uma bomba?” Quando abriu o embrulho, Smuts encontrou um par de sandálias que Gandhi tinha feito com as suas próprias mãos. Gandhiji disse a Smuts: “Este e o meu presente de despedida”.

Preciso dizer mais alguma coisa? :))))

"A não-violência é a mais alta qualidade de oração. A riqueza não pode consegui-Ia, a cólera foge dela, o orgulho devora-a, a gula e a luxúria ofuscam-na, a mentira a esvazia, toda a pressão não justificada a compromete"
Mahatma Gandhi

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lúcio "Um Romário nos Manolos"



Escolhi esta data para falar de futebol porque hoje é dia de Romário. No dia 29 de Janeiro de 1966, nasceu no Rio de Janeiro um dos maiores camisa 9 da história do futebol. Lembro como ontem quando vi o "baixinho" jogar a primeira vez. Eu tinha meus 9 anos de idade e vi aquele fatídico gol do Romário contra o Uruguai que classificou o Brasil para Copa dos Estados Unidos. Golaçooooooooooo! :)



E é engraçado como as coisas são né? Todo mundo lembra dele como um jogador plantado na área, mas era impressionante a velocidade que o baixinho tinha quando era mais novo. Quem vê os gols pelo Barcelona sabe do que estou falando.

Mas falando de Manolos Funk poucos sabem que um dos guitarristas que passaram pela banda tinha um talento futebolístico apurado. Nosso querido Wolmir, mais conhecido como Lúcio, nos surpreendeu com sua habilidade e esta história conto agora para vocês.

CAMPEONATO DE FUTSAL EM VESPASIANO.

A História futebolística dos Manolos Funk é uma piada pronta. Certa vez, nosso querido baterista Fred Berli chegou ao ensaio com o seguinte convite: "Galera tem um torneio de futebol em Vespasiano vamos disputar?" Até aquele momento, não tinha conhecimento se alguém na banda tinha sido apresentado a uma bola de futebol. Após olhares desconfiados e um "Sim" tímido, decidimos jogar o incrível torneio.

O Time era Eu, Marcelo, Fred, Lúcio (ex guitarrista) e o Dante (nosso curinga). O Fred era o nosso goleiro. Cabe aqui um parêntese (Para quem não sabe o Manolos quase não existe por conta do Fred. Quando ele foi entrar para banda seu joelho, segundo relatos, quase saiu para fora após uma partida de futebol mal sucedida). Eu, diga-se de passagem, fui jogar com um "All Star". Ou seja, boa coisa não iria sair. E quando vimos a mulequada que iríamos jogar contra acabei tendo certeza da derrota.

Começa o Jogo. Parecíamos crianças pela correria desordenada e desenvoltura questionável. O Marcelo mostrava um bom futebol, mas não se sabe até hoje porque ele estava lento e lerdo naquele dia. Aliás sabemos sim! kakak! o Dante estava bem, girava para cá, subia e descia. Parecia que tinha um pulmão de aço. Não durou 4 minutos! kkkkk!

Agora a surpresa foi o Lúcio. Na boa galera. Eu nunca vi o futebol ser tão desconfigurado por alguém! akakka. Era bola na canela, chutes desordenados, passes de meio metro totalmente equivocados. Mas ele era esforçado, valente! O Legítimo jogador operário! Eu, tinha porte atlético, correria bonito, brincava com peito estufado antes de começar a partida para botar banca, mas na hora do vamos ver, FRACO.

O melhor da partida foi o falastrão do Fred. Em Determinado momento do jogo só dava ele. "Defendeuuuuuu FREDDDDDD", "Espalma FREEEEEEEEEED, "Cara, cara, olha o gol! FREEEEEEED". Na boa, estava sendo um massacre. Os adversários estavam dando aula de futebol. Na verdade, começamos até bem só que a falta de preparo estragou tudo. E a coisa piorou quando o joelho de vidro do Fred estalou e ele teve de ser substituído. Pelo menos, o goleiro reserva, que conseguimos na arquibancada, defendeu muito bem também. Substituiu o Fred à altura.

Não lembro o placar final. Mas perdemos categoricamente. Acho que o único gol dos Manolos foi feito pelo Dante. Show de Horrores!

O pior de tudo foi nossa cara de pau. Tiramos uma foto com o troféu do campeonato dizendo que havíamos sido campeões.

Futebol digno de Galo!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Parabéns ao Mestre!

Galera todo mundo que me conhece sabe da minha admiração pelo Mike Patton. Considero ele o vocalista mais criativo e versátil do mundo. Fica claro perceber isso nos diversos trabalhos dele. De Faith no More a Mondo Cane percebemos o tanto que ele se renova e experimenta linguagens sonoras o que o torna um cara diferenciado. O cara não para! Legítimo artista

Hoje dia 27 de janeiro é dia do aniversário do Patton e meu aniversário também. Que grande privilégio ein? Confesso que não gostava muito de Faith No More quando era mais muleque. Achava Epic um saco e Patton um fanho maluco. Só fui admirar mesmo o cidadão, quando entrei nos Manolos e comecei a pesquisar mais sobre as linguagens sonoras proposta pela banda. Mas não dá para contestar. O mestre Patton é tipo vinho. Quanto mais idade tem melhor fica.

Os Manolos Funk tem muito das diversas faces de Mike Patton. Enquanto os meninos querem deixar as coisas mais tortas e indecifráveis, eu tento trazer por uma linguagem mais paupável dentro da esquizofrenia kkkkkk. Nisso achamos o meio termo da situação. Se levarmos para o mundo Patton, os meninos são o Mr Bungle e eu sou o Faith no More mais pro King for a Day. Deu pra sacar?

Fica aí meu agradecimento aos meus amigos que me felicitaram nesta data tão especial. Se eu posso contar vantagem em relação a Patton é só em pela juventude. Meus 27 ganham dos 43. Agora o talento dele é proporcional ao avançar da idade. Acho que vou precisar de viver umas 10 vidas para alcançar um talento assim. Mas não importo, só de tê-lo como influência já é uma escola muito grande pra mim.

Parabéns! E vida Longa ao mestre
Conheças um pouco mais dos projetos do homem das mil vozes! O que mais curto é o LOVAGE! :))

MR BUNGLE


FAITH NO MORE


TOMAHAWK


MONDO CANE


PEEPING TOM


LOVAGE

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Nalgum lugar americanamente brasileiro"

Olá Galera! Pois é, neste momento ando escutando algumas coisas nacionais e fico impressionado como a língua portuguesa é uma coisa linda.

Veja este grande paradoxo. A música "Nalgum lugar" interpretada pelo Zeca Baleiro é de um poeta GRINGO chamado Edward Estlin Cummings (1894 a 1962).

Considerado um dos inventores da poesia moderna, ele ajudou a transformar a linguagem poética misturando realidade e ficção. Suas poesias eram bastantes influenciadas pelos progressos científicos que tomaram conta da cultura da sociedade na época.

E.E Cummings viveu por meio de poesias e pinturas durante toda sua vida. Foi voluntário na primeira guerra mundial e foi casado 3 vezes. Seus poemas foram utilizados por músicos com técnicas peculiares de composição como John Cage, Luciano Berio e Pierre Boulez, já que, a tipografia e as microestruturas fônicas dos poemas permitiam arranjos diferenciados.

Claro que as obras são o que devem ser. O poema não é brasileiro, mas vê-lo interpretado em música pelo Zeca Baleiro, na língua portuguesa, me deixa bastante feliz! :)

Espero que gostem!