Manolos Funk e outros independentes!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estamos indo para onde?

Hoje foi um dia muito triste para todos nós que somos pessoas de bem. Ver nos noticiários o assassinato de 11 crianças e mais de 13 feridas dentro de uma escola no Rio de Janeiro, por motivos ainda não esclarecidos, deixam a gente bastante triste. Não vou escrever aqui como especialista e estudioso do caso, até porque não sou muito devorador de tragédias noticiadas, apesar de jamais fechar os olhos e não me sensibilizar a elas.

Vim propor uma reflexão com vocês sobre como estas notícias são expostas nos noticiários e acho até plausível conversar sobre isso hoje, já que, é dia do Jornalista. Estava vendo um destes programas da tarde e há muito tempo me incomoda a abordagem superficial de alguns profissionais. Muito bem articulados eles esbravejavam sobre o caso. “É um vagabundo”, “Um safado deste não merece viver”, “Passou na hora da pena de morte”, “É uma coisa horrível”, entre outras coisas.

Lógico que não vou entrar no mérito da situação e justificar nada, até porque não tem como. Um rapaz de 24 anos matou 11 crianças, deixou 13 feridas e suicidou dentro de uma escola deixando uma carta desconexa explicando seus motivos. Destruiu famílias e sonhos. Esta é uma notícia, um fato. Agora o que me incomoda é que a discussão nos meios de comunicação raramente tenta aprofundar a situação sem espetacularizar. Sim, eu conheço os critérios de noticiabilidade, sei como funciona esta redoma mercadológica das notícias, mas tenho direito de não concordar.

Acredito que foco da discussão é tentar entender como este rapaz chegou de fato a cometer este ato. Tentar entender o contexto histórico e social é muito importante não apenas para enxergar os motivos pelo qual ele matou, mas para criar mecanismos sociais para que outros jovens não cheguem e comentam de novo atrocidades como estas. Claro que nada é tão objetivo. Nem sempre um cidadão que sofre bulling na escola, é pobre ou foi humilhado dentro de casa se tornará um assassino, ladrão, etc... Aliás, a maioria não é.

Eu falo isso porque não acredito em maldade genética. De repente estudos provam isso, mas eu tenho uma teoria pra mim. Nesta vida ou as pessoas se estragam por alguma coisa ou em outros casos são doentes. Existem pessoas ruins? Claro que sim. Mas não acredito que elas nascem com o “dom” de serem ruins. Parece contraditório dizer isso, principalmente pela minha tendência espírita, mas mesmo um espírito pouco evoluído não volta à terra para fazer o mal. Ele vem buscar é evolução, mas é aqui que não suporta a pressão e fracassa, justamente pelos pontos que expus. Mas enfim, não é esta discussão.

O importante é a pergunta. O que anda acontecendo com a vida das pessoas? A rotina de vida, a falta de espiritualidade (não estou falando de religião) e a busca exagerada pelo ter provoca conseqüências na vida de cada um. Então como resolvê-las? Nós, cidadãos comuns, podemos fazer algumas coisa pela saúde mental e bem estar uns dos outros? Se sim, o quê? As pessoas precisam é escutar isso e estes desdobramentos são muito pouco explorados no dia a dia. Quando tentam abordar preocupam mais com o ibope e espetacularizam.

Especificamente sobre o caso. Vamos imaginar que o rapaz possui algum tipo de doença psicológica. Por que ela não foi tratada? Falta de conhecimento, omissão familiar, governo ou falta de estrutura? Sei lá, de repente realmente existam pessoas ruins. Os sociopatas como dizem, não é? De repente é influência maligna mesmo. Mas não é somente noticiando tragédias atrás de tragédias que a vida das pessoas irá mudar. Elas precisam escutar perspectivas e soluções. Necessitam de capacidade reflexiva para catalisar a indignação para algo realmente importante e modificador. Por enquanto, o papel dos meios de comunicação é a simples propagação do medo e da gratuita promoção da indignação. Esta sempre substituída por novas notícias tragicamente maiores.

Pobre ser humano! Continua seu réquiem trágico sem nem saber como resolver seus próprios dramas sociais e psicológicos. E pior, sempre pouco incentivado a pensar sobre isso. É a perdição..

3 comentários:

  1. É um absurdo o ocorrido. Dá até pra acreditar em fim do mundo. Presságios.

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  2. Tchululu, mandou bem. Mas discordo de que haja solução para alguns casos.

    É claro que a sociedade tem que idntificar essas figuras e ajudá-las na busca por uma aceitação da realidade. Mas, vai saber. O cara pode simplesmente ter tido um dia ruim, viu alguma injustiça e isso foi o suficiente para ativar o gatilho da loucura.

    Essas coisas são imprevisíveis mesmo. Mas concordo que a discussão dos noticiários é rasa e sensasionalista.

    inda bem que não dependemos mais damidia de massa pra saber das coisas né.

    Abração!

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  3. Sim Luiz! É verdade. Ainda bem que somos privilegiados. Mas eu me preocupo mesmo é com a grande parte da população. A maioria vive de forma muito alienada e só sabe aquilo que os meios de comunicação tradicionais expõe. No geral se tornam reflexo do que escutam o vêem.

    Agora sobre as coisas serem imprevisíveis, acho difícil que uma pessoa com uma saúde mental razoável cometa uma barbarie tão grande como esta. Sabe porque? Parece que foi premeditado, saca? Todos nós podemos ter um surto em determinada situação, é claro, mas para chegar a cometer um ato este acho que a construção dele como cidadão foi fundamental.

    Valeu demais seu post Luiz! Sempre é um prazer trocar ideias com você meu caro.

    Um abraço! :)

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