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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Escafandro e a borboleta



texto: Tchululu
foto: Site Cinelog

Hoje vi o filme francês "O Escafandro e a Borboleta", dirigido por Julian Schnabel. Trata-se da história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle, que subitamente vê sua vida mudar após perder todos os movimentos do corpo em um acidente vascular cerebral. Só por meio de um olho ele se comunica com mundo e guarda nas memórias e imaginações o grande refúgio para escrever sobre sua vida. O longa é baseado no livro "Memórias de Jean Dominique Bauby" e trata-se de uma história real.

O filme é bem triste mas propõe uma reflexão muito bonita sobre como enxergamos o mundo. Não vou fazer resenha do filme porque isso você encontra fácil em qualquer sítio, só quero comentar o quão bonita achei a construção das cenas. Aliás é uma especialidade do cinema francês.

Jean-Dominique Bauby é o narrador da sua própria história. Pelos pensamentos "falados" ele expressa suas agonias e reflexões tudo criado de maneira muito poética e sensível. É muito bacana como a limitação trás à tona detalhes que no dia a dia deixamos passar em branco como se fossem a coisa mais comum do mundo. Por exemplo, nós estamos acostumados a ver cores, objetos e edifícios mas não enxergamos seus detalhes. Deu para entender? É uma questão de sensibilidade mesmo.

No filme é impressionante como as cenas são construídas para a gente perceber como tudo ao nosso redor é importante. Um abraço, um diálogo, uma palavra e um simples sorriso ganham a dimensão correta de como isso deveria ser valorizado. É muito bacana ver em imagens de como ele se refugia na sua mente ao criar situações fantasiosas para tornar sua vida mais interessante. Isso tudo se mistura com as próprias memórias numa profunda análise sobre suas atitudes. As cenas são cheias de poesia, lentas e valorizam cada ação

Vou postar a letra de uma música que tem muito a ver com "O Escafandro e a Borboleta". Há muito tempo não escuto Legião Urbana, aliás banda da minha infância. Mas a música "O Livro dos Dias" tem tudo a ver a história do filme. Fica a dica de filme e da música também. Acredito que o Renato Russo escreveu a letra em uma fase bem pesada de sua vida e tal. Grande poeta.

"Ausente o encanto antes cultivado
Percebo o mecanismo indiferente
Que teima em resgatar sem confiança
A essência do delito então sagrado
Meu coração não quer deixar
Meu corpo descansar
E teu desejo inverso é velho amigo
Já que o tenho sempre a meu lado
Hoje estão aceitas pelo nome
O que perfeito entregas mas é tarde
Só daria certo aos dois que tentam
Se ainda embriagado pela fome
Exatos teu perdão e tua idade
O indulto a ti tomasse como bênção
Não esconda tristeza de mim
Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores"

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