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terça-feira, 19 de abril de 2011

O rock é cultura brasileira?



texto: Tchululu
Foto: site "história do mundo"

Existe uma grande efervescência de bandas que compõem o rock brasileiro contemporâneo. Muitos acreditam que o estilo está em baixa no Brasil devido a "fenômenos" como "Restart", "Cine", dentre outros, mas com o surgimento da Internet é possível conhecer bandas beeeeeem mais interessantes do que estas. Quem fica nesta de saudosismo com a música tem preguiça de pesquisar ou está muito fora do processo. Existe bandas de rock com letras boas, timbres diferentes e estéticas diversas. É inegável que o rock brasileiro está para todos os gostos.

Mas quero discutir aqui os motivos porque as pessoas no dia a dia ainda não valorizam o rock como cultura brasileira. O estilo hoje tem mais de meio século de história e alguns tabus ainda existem como a questão da baderna, drogas, a rebeldia contra o sistema, dentre outros preconceitos que nunca foram exclusividade do rock.

Para quem não sabe o estilo no Brasil surgiu nos anos 1950 e estourou mesmo com a jovem guarda entre a década de 1960 e 1970. Artistas como Tony Campello, Albert Pavão, Jerry Adriani, Made in Brazil, Casa das Máquinas, Tutti Frutti tiveram grande destaque e depois foram esquecidos pela mídia. Depois diversas bandas surgiram nos anos de 1980 formando o "rock brasil" com a estética punk inglesa muito forte. O engraçado é que muitas pessoas acham que o rock não é da cultura brasileira por ter vindo de outro país, principalmente um europeu. A pergunta é. O que no Brasil é genuinamente brasileiro? Somos cidadãos do mundo. O samba, ícone da cultura brasileira, por exemplo, é derivado das danças africanas e foi levado à Bahia pelos escravos.

No fundo acho que existe um história de intolerância com as coisas européias e norte americanas pela forma como eles colonizaram os países. Isso faz com que as pessoas tenham um preconceito maior com qualquer estética vinda de fora. Será que tudo que é gringo é ruim? Tudo surge para destruir nosso patrimônio? Acho que a questão destrutiva é muito mais pelo lado da economia do que pela estética mesmo. Por exemplo. Você, hoje, vê nas rádios o pop americano imperando pelo poder financeiro mesmo. O ruim é a falta de espaço para outros estilos. Não estou comparando. Mas eu não acharia bom tocar "Tom Jobim" 3 vezes a cada hora em uma rádio só porque é do Brasil. Isso seria uma maneira muito invididual de ver a música. A verdade é que tudo tem de ser democrático, sem fronteiras e atemporal. O rap tem que ter seu espaço, a banda pop, rock n roll, teen, jazz, a bossa, música erudita, entre outros.

Voltando a história. Durante a construção do rock brasileiro tivemos momentos pra exemplificar a intolerância. Primeiro foi com o papel dos nacionalistas que não admitiam um ritmo estrangeiro no país. Em contrapartida, os "rockers" também não aceitavam o estilo em português e agiam com preconceito contra as bandas brasileiras, principalmente, com aquelas que cantavam na nossa língua. Hoje existem vários estilos musicais abrasilerados como a valsa brasileira, o tango brasileiro, o fox brasileiro, a guarânia brasileira e parece que só o rock não é brasilieiro!

Acho que os tempos mudaram mas a mentalidade intolerante perpetua principalmente para o público em geral. Acho que as referências estéticas ainda são influenciadas por uma vibe protencionista de um Brasil que é muito menos Brasil que a sua própria história. Isso interfere nas políticas públicas, na maneira como as pessoas enxergam um evento, no próprio consumo dos estilos musicais e na falta de leitura de um processo musical efervescente que vivemos. Passou da hora do brasileiro enxergar o país que tem. Este cabo de guerra musical já tá demodé demais. O rock é da cultura brasileira e deve ser valorizado e prestigiado. É direito conquistado.

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